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Friday, August 26, 2011

Sob Influência da mídia


Discussão filme O 4º Poder



Que a mídia tem poder, não há duvidas. Mas ao assistir o filme O Quarto Poder, podemos relacionar os acontecimentos e assim analisar o dever do jornalista perante seu código de ética. Alguns tópicos do código de ética jornalístico o apoiam, outros condenam. Podemos fazer uma analise minuciosa e assim chegar a um consenso da forma que o jornalista Max Brackett (Dustin Hoffman) agiu.
Primeiramente vamos relacionar positivamente, o artigo nº 2 nos parágrafos I, II e III. Dizem resumidamente que o jornalista não pode admitir o impedimento ao acesso à informação, deve se pautar na verdade, tem direito de liberdade de imprensa e obrigação social de divulgar os fatos. Baseando-se nisso, o momento do filme em que Brackett toma a decisão de ligar ao estúdio e passar tudo o que estava acontecendo no museu, foi uma “ação social” de manter o público informado. E inclusive deixou que o próprio sequestrador Sam Baily (John Travolta) expusesse seu lado da história, indo de acordo então com um dos deveres do jornalista, conforme artigo nº 7 paragrafo III.
Negativamente, temos muito que comentar, porem alguns dos artigos que mais me chamaram a atenção foi: Artigo nº 7 paragrafo V que fala sobre incitar violência e o crime. Era o que Brackett estava fazendo ao apoiar Baily no ato e o induzir a não se entregar.  Artigo nº 11 paragrafo I e II, cita que o jornalista não pode divulgar informação visando interesse pessoal, ou de forma sensacionalista. Brackett infringiu o código de ética no momento de aflição de Baily para poder de forma exagerada ter a posição de destaque, com entrevistas exclusivas e falando ao sequestrador como deveria agir.
Por outro lado, o código de ética não fala apenas dos jornalistas, mas cita também o dever da Comissão Nacional de Ética, no artigo nº16 parágrafos V e VI cita que a Comissão Nacional de Ética deve processar julgar e encaminhar ao Ministério Publico os casos de violação do código de Ética. Sabendo do que se passava, onde estavam tais autoridades que não fizeram nada para barrar o que estava sendo feito? Tudo bem, pode-se dizer que “é só um filme”. Mas buscando fatos da história brasileira o sequestro de Eloá Pimentel, ocorrido no final de 2008, abrangeu de tal forma os índices de ibope que, durante as 100 horas do sequestro, o atuante Lindemberg Alves deu uma entrevista exclusiva para a apresentadora Sonia Abrão.  Já o pai da adolescente foi entrevistado pela TV Record. No entanto, o familiar era procurado pela polícia e acusado de homicídios.
Onde está a ética nesse relato? Ou melhor, onde está a Comissão Nacional de Ética? Mesmo após o fim trágico com a morte de Eloá e sua amiga baleada, emissoras conseguiram seus pontos na audiência com cenas da tragédia. Além desse relato, temos também o do ônibus 174 no Rio de Janeiro, ocorrido em 2000, que apesar do fim não ter sido influenciado pela mídia, a imagem do sequestrador foi denegrida. Mesmo como culpado - assim como Lindemberg - a mídia fez do caso que seria um desastre, um circo.
Até hoje os responsáveis não responderam pelas transgressões. Em sua defesa citam Artigo nº 6 paragrafo II. “É dever do jornalista: divulgar os fatos e as informações de interesse público”. Se não houvesse audiência, não seria exibido. Devemos então analisar primeiramente a conduta dos espectadores, para aí então dizer quem está certo ou errado. 

Sem Sangue Frio



 Resenha filme Capote



Em 1959, dois rapazes invadem uma fazenda no interior do Kansas e matam toda a família dona da casa. Truman Capote (Philip Seymour Hoffman), jornalista da revista The New Yorker, fica sabendo do acontecimento e acha que o caso pode render uma boa matéria. Quando chega ao local percebe que há material suficiente para um livro.
O livro A Sangue Frio obra mais famosa de Capote vira uma revolução no modo de se fazer jornalismo. Capote levou cinco anos para terminá-lo, examinando documentos e fazendo várias entrevistas com os criminosos. Só finalizou depois que a sentença de morte fosse executada de modo definitivo.
Ao analisar o filme devemos ligar os fatos com a trama, no filme Capote tem um grande envolvimento com Perry Smith (Clifton Collins Jr), pois havia uma identificação entre eles devido o passado parecido. Desta forma creio que fica bem claro o amor que há entre os dois. Capote era gay assumido e tinha um companheiro, na época algo ofensivo demais para a sociedade, percebemos isto pelo modo que alguns se dirigem à ele no filme.
O envolvimento de Capote com Perry abriu uma brecha para um talvez engano na sentença, mesmo sabendo da culpa, Capote ajudou financeiramente os condenados para uma talvez mudança de fim. Isso revela aquele antigo, mas não desatualizado, lema onde pessoas normais podem sim um dia, por alguma razão (destino, desespero, ganancia, etc.) fazer algo horrível. Por isso não é de se assustar que mesmo tendo repugnância pelo crime cometido, Capote sofreu pela morte de Perry.
O filme destaca muitos outros pontos incrivelmente intensos dessa relação, mas é importante lembrar que o ponto chave para o livro A Sangue Frio ser tão renomado é exatamente o envolvimento que houve do Jornalista com o Assassino. Capote vivenciou todo aquele período e isso intensificou sua obra, a qualidade em que ele descrevia os relatos, com informações bem apuradas, texto envolvente demonstrava o quanto ele participava da vida de Perry na prisão.
E é exatamente nisso que o Jornalismo Diversional se baseia. É a forma velha de contar o novo, como se tivéssemos um acontecimento sendo narrado por um contador de histórias.
No Brasil a revista Piauí , idealizada pelo documentarista João Moreira Salles,  foi lançada em 2006 com o objetivo de contar bem uma história. Para isso, o tratamento dado às reportagens geralmente assemelha-se ao de uma narrativa ficcional (como a de Capote em A Sangue Frio).

Voltando pra o filme, interessante destacar que depois deste livro Capote não produziu mais nada de valor, entregou-se ao álcool e morreu. Talvez depois de vivenciar tudo isso tão intensamente, tenha lhe faltado sangue frio suficiente para continuar vivendo.